
Estou meio nostálgica. Voltei a memória, num tempo bem distante, quando conheci meu Comandante. De forma tão inusitada e ao mesmo tempo especial. Meu grande amor. Inesquecivelmente entrou na minha vida deixando um pouco dele em mim durante anos, e anos, e anos... Primeiro contato por telefone e alguns dias depois ele me apareceu de surpresa em minha casa, eu claro disfarcei pra minhas amigas que moravam comigo que não o conhecia pessoalmente. Virtude minha - discrição. Ele olhou pra mim com um olhar tão penetrante que tremi. Mas gostei que ele me levou um buquê de rosas vermelhas de talos grandes... Deixando as meninas "com inveja". Quando olho essa foto dele, a última em vida, que mandou antes de ir a São Paulo - se bem que nem precisava, pois era só olhar para o Roberto Justus – pois eram incrivelmente parecidos – (meu comandante era enorme, alto {1,95m}, atlético, loiro, olhos azuis, ombros cheios de sardas e marcados pelo sol), lembro daquela voz carioca, chiada e rouca a me dá ordens ali naquele gabinete. Olhando em meus olhos e dizendo que eu era propriedade sua. Aquilo me causava arrepios, me excitava. Ainda não sabia nada da vida, saindo da adolescência, virgem de tudo, pura, inocente, crédula...
Com ele, em vários momentos me sentir
valorizada como fêmea, mulher, noutros me sentir objeto, um brinquedo seu, noutros uma master coach
que de vez em quando lhe abria os olhos em tantas coisas da vida... E como ele
me escutava, me atendia, me achava sensata. Hoje, posso falar disso com tranquilidade
e uma certa nostalgia, pois já se passaram mais de 10 anos de sua partida para
o além, lá para cima, de uma forma tão inesperada, mas previsível. Fumava demais,
apesar de que, por mim, tinha reduzido em 90% desse vício. Ele dizia que eu era
o “seu tesouro especial”, “diferente das outras” que “eram apenas as outras”, dos
acasos... Afinal foram mais de 15 anos de muito amor bandido, fugidio, meio
escondido... Antes e depois de já ter me envolvido com outro alguém. Meu primeiro
macho, meu primeiro gozo, minha primeira chupada num cacete, a primeira boca em
minha buceta. Toda semana tinha foda. Já conhecia alguns caminhos entre a zona sul e zona norte de locais de nossos encontros...
Ele tinha fortíssimas fantasias e tendências Bdsm. Hoje, eu o denominaria como Dominador. Não permitia eu olhar em seus olhos, era pra ficar de olhar para baixo, chamá-lo de Senhorzinho, usava cordas e algemas (sensuais, rosas) em meus pulsos, eu tinha que ficar totalmente nua em sua presença, andar como cadelinha. E logo eu era perfeita e provocante (dizia ele), dizia que meu “olhar era perigoso, assim como minha boca”.
Nosso último encontro foi na sua chácara...
onde ele ficava praticamente só. Tentava ir pelo menos uma vez na semana.
Faltava ao trabalho para que pudesse dar o prazer da minha companhia e
vice-versa, óbvio. Fui passar o dia inteirinho com ele – foram 15 horas juntos –
das 07 da manhã às 10 da noite. Foi um dia de revelações, choros, lágrimas,
lamentações, toques, fodas, declarações, só que já estava com o digníssimo, ai
tudo ficava mais complicado... Até aprecia uma despedida. Pela primeira vez em
tantos anos ele declarou claramente que me amava e que eu era a mulher da sua
vida até o dia em que morrêssemos. Muita emoção. Sentir aquele toque, aquela
mão a me apertar como se quisesse me cunhar e decorar entre seus dedos... em
sua mente. Sentir aquele cacete era algo divino e profano, eu ali sendo fudida por
meu Senhorzinho, meu amor secreto... Entre gozos, choros, declarações, muito
cheiros, lambidas, esfregações... corpo contra corpo, pele sobre pele, em
contrastes de tons, em unidade de desejos... de tesão, de foda, de luxúria, de
loucura. Eu nunca permitia ele me beijar na boca, ia me esquivando, mas nesse dia tudo tava
liberado, beijamo-nos muitos com nossas línguas, com nossas salivas... eu sentada sobre seu cacete, barriga com barriga... rosto com rosto... nariz com nariz... boca com boca...
Ele sempre me enchia de mimos. Não gostava muito não; pois queria só ELE mesmo. Nada da riqueza dele. Ele era milionário, de verdade. Muitas propriedades. Queria me dar carro, apt. Nunca aceitei. Sempre tinha pelo menos 4 a 5 carros que mudava anualmente, com exceção do fusquinha que ele não vendia, nem abria mão e sempre tinha uma pick up entre os demais que trocava todo ano. Cada viagem que ele fazia era um mimo que me trazia, principalmente da Europa. Claro que o que mais gostei de todos foi o J’adore francês. Amo perfume francês. Foi com ele que aprendi a gostar desse cheiro... Ele sabia que eu tinha gostado e sempre me dava um, em meu aniversário. Dizia para que eu nunca esquecesse dele nessa data especial a mim. Como se esquecê-lo fosse possível.
Por isso hoje, estou trazendo à memória esse tempo, esses anos que tu passaste em minha vida, perpetuando essas lembranças - enquanto eu viver. Obrigada, meu Comandante. Serás sempre meu Comandante, nunca ousei pronunciar seu nome a ti, nem mesmo quando tu me autorizaste. Mas fiz uma bela homenagem a ti, com o teu nome, no seio da minha família, como tu soube antes de ir para o RJ e depois SP... E eternidade... R.I.P.

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