Minha vida
BDSM começou movida pela curiosidade de fêmea que existe em muitas mulheres,
inclusive eu. Sempre gostei de ler e escrever. E numa dessas tardes há umas 2
décadas atrás pesquisando sobre contos encontrei uma página na internet de
contos erótico com o nome “sadomasoquismo”, nem sabia o que era, mas mesmo
assim fui pesquisar sobre o assunto. E fiquei fascinada. Cada conto que lia mais
intensificava o desejo de vivenciar aquilo que passava aquela “escrava” –
terminologia usada para designar a mulher que servia a um “dominador” – aquele que
tinha o poder da dominação e era o “mestre” desse modelo de relação.
Minha
avidez era tamanha que fui me emaranhando entre sites, chats e literatura sobre
o assunto, comprando livros e acessando conteúdo de Mestres e servas que na
época escreviam sobre o assunto. Mantive contatos virtuais com alguns – até dono
virtual tive – com relação apenas em Messenger e até ligações telefônicas. Conheci
outros pessoalmente e quase ia aos Estados Unidos para servir um mestre. Totalmente
embriagada de tesão BDSM, sem nem avaliar as reais consequências. Tudo movida
pela credibilidade nas pessoas e na inocência que de mim exalava. Sempre achei
que a integridade, honestidade e alteridade deveriam ser parte integrante da
vida de qualquer pessoa. Mas a gente ver que nem todos têm boa índole.
Fui enrolada
financeiramente. Tive meus desejos bloqueados pela desconfiança. Mas isso não
apagou aquela chama que insistia em me consumir de tesão. Meu contato com um dominador
chamado “Pássaro Cruel” levantaram meus instintos de uma forma diferente, pois
ele me mostrou pequenas coisas que elevavam o prazer. Lembro-me de um celular
dentro de uma camisinha que servia de vibrador dentro da buceta com uma ligação
prolongada. Nunca iria imaginar isso.
Tinha um
site de classificados BDSM e lá vi muitos anúncios de homens, mulheres –
servas, dominadores, escravas, etc. E vi o anúncio de um Mestre dominador que
estaria vindo para cá, para essa região mais pertinho. Uau. Achei que poderia
ser minha chance de encontrar pela primeira vez um dominador e vivenciar no
corpo todos aqueles desejos da minha alma e de minha libido que aflorava de uma
forma desgraçadamente abundante.
E, depois
de um bom tempo de conversas virtuais, orientações e tudo que cercava o mundo
BDSM nos encontramos. O primeiro encontro BDSM, cheio de momentos markantes. A começar
pelo nome do dominador DOM MARKA. Foi simplesmente INESQUJECÍVEL por todo o
contexto que cerou aquele momento. Minha roupa, o boliche, o andar, minhas
sandálias alta de tiras escorregadias, o chegar, o entrar, cada peça de roupa
que foi retirada, o cigarro que aqueceu minha coxa, causando sensações, cada
toque daquelas mãos que se aproximava de minha pele e me impediam de toar
aquele que meus olhos desejava olhar, encarar, ver o olhar.
Fui sentindo
o tesão em mim crescer. O tesão nele crescer. Éramos dois: machos e fêmea –
dominador e serva se entregando a um momento único, ímpar de sensações que o
corpo pode produzir, aflorar e exalar... Sentir seu toque em meu corpo, perscrutando
meu íntimo, numa invasão louca, colorida, dolorida, deliciosa. Era um misto de
tantas sensações e desejos que simplesmente enlouqueci me abrindo para recebê-lo
em mim. Sentir o calor de minhas entranhas – o que depois fiquei sabendo que se
chamava fisting. Nunca mais vou esquecer aquele dia. Está perpetuado em minha
mente, assim como a voz, o andar e o olhar dele.
Como o
tempo passa! E nessa minha saga BDSM já são uns 20 anos. Por conta desse meu
mundo paralelo à minha vida social eu precisei romper relações porque, de fato,
para mim o BDSM era mais eminente e necessário que aquilo que vivenciava em
minha “vida baunilha”, porque eu queria sentir sabores, sabores loucos de
prazer. Eu nasci para ser essa fêmea tresloucada e entregue sem pudores e
reservas na sensação do sentir. Apesar de
muito reservada, resistente às vezes, mas isso não minimiza a intensidade do
que posso dá, sentir e oferecer...
Eu não fiquei
presa a um relacionamento por conta de coisas, bens. Era uma construção que envolvia
muitas coisas, pessoas, histórias, conveniências sociais e familiares... Mas eu
tive que abri mão quando minha essência de serva se mostrou mais forte. Rompi. Algumas
pessoas numa relação, às vezes não entendem o que queremos, o que sentimos. E num
momento desses, para alguns o melhor é sair fora. Outros permanecem para manter
a “estrutura social”.
Meu adorado
Mestre Dom Marka me mostrou muita coisa para viver, sentir prazer. Não, não sou
hedonista. Não sou da filosofia Carpe Diem. Mas entre está numa relação e viver
a minha vida, preferir viver a minha vida, ainda com certas resistências. Mas
fui assim mesmo. Foi um tipo de libertação, que de lá para cá, principalmente
nessa última década, foi muito aproveitada, dentro das limitações impostas
pelas tais conveniências, especificamente do Mestre que minhas, já que minhas
rupturas foram mais intensas.
Estive só
por um longo tempo. Mas foi por opção, cacete! Eu queira apenas uma vida BDSM!
E isso era muito limitante, porque não dependia só de mim. Não tem como uma
pessoa viver uma vida de RELAÇÃO BDSM sozinha!
A ática do meio BDSM, o respeito, a lisura que mantém essa relação não
me permitia por exemplo, ir atrás de um dominador, porque eu era (SOU) serva de
Dom Marka. Mas meu mestre não aceitava que eu não tivesse minha vida baunilha.
Sempre exigiu isso, até mesmo, de certa forma, sob ameaças de afastamento.
Porra! Eu
saí de um relacionamento assim justamente porque queria viver apenas vida bdsm
e agora aquele que é o motivo de meus desejos BDSM exige que eu tenha (de
volta) a vida que deixei para trás! Relutei muito. Apesar de que muitos, mas
muitos homens (e até mulheres) me assediavam, me procuravam e procuram eu não
os queria. Por isso, mais recentemente me aventurei a conhecer alguns. Conheci
3. Saímos, jantamos tivemos um grande de intimidade que os levaram querer algo
mais comigo. 1 dispensei. Até porque ainda é complicado em minha mente
assimilar um envolvimento, mesmo que sem compromisso, com 3 homens. Ficaram dois,
sendo que em compartilhamento com meu adorado e eternamente amado mestre BDSM
Dom Marka, deveria dispensar um. Foi difícil, mas assim fiz.
Interessante
que a gente vai se apegando. Já estava gostando dos dois em graus diferentes de
envolvimento. Cada um com suas características, beleza, modo de fuder. Foi difícil,
porque o homem que conhece qualquer uma de mim – dessas 3 mulheres que me
tornei, que vou repensar – se torna totalmente envolvido. Porque sem falsos
proselitismos, eu sou a mulher que todo homem desejaria ter
por perto: generosa, amiga, safada, ousada, aquela fêmea sem frescura que se
entrega total, que cuida, que zela, que respeita, que preserva, que é discreta
e ao mesmo tempo é um turbilhão de sensações.
EU SOU AQUELA MULHER que nenhum homem quer
deixar depois que me conhece. E assim foi com o DD, ainda chora, liga todo dia,
manda mensagem, está sempre em minhas redes sociais. Tive que falar com ele e
dizer que não daria mais de termos qualquer relação. A última vez que nos encontramos
– antes da conversa com o Mestre - me cobriu de presentes. Disse que viu em meu
perfil que gosto de perfume francês e me trouxe uns 3 e já pediu pra uma
parente trazer da França um que amo – J’adore.
Agradecei mas devolvi, dizendo para ele dá para alguém especial em sua vida,
porque não daria mais da gente se encontrar e nem criar perspectiva de relacionamento.
Ele não aceitou. Disse que eu merecia até mais. E que nunca iria se afastar,
porque ter uma pessoa como eu por perto é muito importante e especial. Que sou
uma mulher incrível e que quer nem que seja minha amizade.
Me afastar
me deu a chance de repensar minha vida. Muito tempo só, sem vida baunilha. Em muitas
solidões de noite, saindo sozinha e voltando sozinha para deitar numa cama
vazia, olhando para o teto e revivendo passados BDSM... Agora ficou o Raul.
Esse cara está fazendo uma reviravolta em minha vida. Me valorizando como
fêmea, como mulher, como amiga. Me proporcionando uma nova chance de ter uma vida baunilha completa, aquela que meu
mestre Dom Marka tanto insiste que eu tenha.
Esse cara
me proporciona momentos felizes - que não estou disposta a abrir mão. Ele traz
estabilidade em minha vida de correria. Totalmente sem nenhuma frescura. Explora
meu corpo de alto a baixo com sua língua, me invade de todas as formas. Com ele
não tem nenhuma frescura. Olha para mim, como se fosse um tesouro. Faz poemas
para mim (ele é escritor – tem 6 livros publicados); sorri de forma quase inocente
– mas bem maliciosa. Eu estou envolvida e estou gostando de ser cuidada, ser
amada, ser querida, além de ser desejada, chupada e fudida. Por ele era foda
todo dia. Se não fosse essa falta de tempo que minha vida acadêmica, muitos
compromissos e trabalho office me impõem, a coisa seria mais intensa ainda. Nosso
grau de conhecimento já está num nível familiar muito íntimo.
Pois, sim, meu adorado Dom Marka,
estou com minha vida baunilha de volta, como meu adorado mestre sempre me
orientou e incentivou fazer.


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